Paygrama guia geral do laboratório de pagamentos

Contestação (chargeback)

Quando o cliente não reconhece uma compra no cartão, ou o produto não chegou, ele pede o dinheiro de volta ao banco. Aqui está o caminho do chargeback, como ele muda em cada modelo e cada etapa.

Como funciona

PortadorcontestaEmissorabre o casoBandeiraregrasAdquirentedebitaLojistadefendechargebackdefesa (reapresentação) faz o caminho de volta
O caminho da contestação no modelo de quatro partes: o chargeback vai do emissor ao lojista, e a defesa volta.

Quando o cliente não reconhece uma compra, ou o produto não chegou, ele contesta no banco que emitiu o cartão. Muitos emissores devolvem o valor provisoriamente enquanto analisam. O emissor abre o chargeback pela bandeira com um código de motivo, que define quais provas valem e quais são os prazos.

A bandeira debita a adquirente, que retém o valor da agenda do lojista e abre o prazo para a defesa. O lojista pode aceitar a perda ou se defender com provas, como o comprovante com chip e senha, a nota fiscal e o comprovante de entrega. A adquirente reapresenta a transação, o emissor reavalia e, sem acordo, o caso pode ir à arbitragem da bandeira.

Acima está o caminho no modelo de quatro partes. Nos outros modelos do cartão, a contestação muda, como mostra a seção abaixo.

No laboratório: lojista aceita, se defende e vence, ou se defende e perde. Ver no laboratório

Quanto tempo leva

dia 0Contestaçãocliente nobancodia 2Créditoprovisórioao clientedia 4Chargebackvalor retidodo lojistadia 11Defesaprovas dolojistadia 23Decisãodo emissordia 25Resultadona agendaprazos do laboratório, ilustrativos; os reais estão nas regras de cada bandeira
Diferente da compra, que leva milissegundos, a contestação leva semanas.

O cliente tem um prazo para contestar depois da compra, e cada etapa seguinte também tem prazo: o lojista precisa responder dentro dele, ou perde a chance de se defender. Os prazos dependem da bandeira e do motivo; a Visa, por exemplo, publica os seus nas regras da bandeira.

Os motivos

Toda contestação tem um código de motivo, que define quais provas valem. As bandeiras agrupam os motivos em quatro famílias, como faz a Visa:

Fraude

O cliente diz que não fez a compra: cartão clonado, roubado ou usado sem autorização, numa loja física ou online.

Autorização

A compra foi feita sem uma autorização válida, por exemplo depois de uma recusa ou com a autorização vencida.

Erro de processamento

Valor errado, cobrança em duplicidade, moeda errada ou uma venda lançada fora do prazo.

Disputa de consumo

O produto não chegou, veio diferente do anunciado ou com defeito, ou o cancelamento não foi respeitado.

Quem fica com o prejuízo

Chargebackvalor retidonão se defendese defendeAceita a perdalojista perdeReapresentaçãoanalisa as provasprovas bastamnão bastamLojista venceo valor voltaLojista perdeou pede arbitragemArbitragema bandeira decide
Os três desfechos do laboratório, e a arbitragem, que fica de fora dele.

Chargeback, estorno e cancelamento

Quem iniciaComo funciona
CancelamentoLojista, antes da capturaA autorização é desfeita e a reserva some do cartão; nada chega a ser cobrado.
EstornoLojista, depois da capturaO lojista devolve o valor por iniciativa própria, e o cliente vê o crédito na fatura.
ChargebackCliente, pelo banco emissorO emissor tira o valor do lojista pela bandeira, e o lojista pode se defender.

Como o lojista se protege

Chip e senha

Na loja física, a compra com chip e senha é a melhor prova contra fraude. Quando ela é usada, a responsabilidade por fraude costuma passar para o emissor.

Autenticação online

Na loja virtual, a autenticação do banco do cliente (3-D Secure) cumpre um papel parecido com o da senha.

Comprovante de entrega

Rastreio, assinatura ou foto da entrega respondem ao motivo mais comum de disputa: o produto que não chegou.

Nome reconhecível na fatura

Muitas contestações vêm de clientes que não reconhecem o nome da loja na fatura. Um nome claro evita a dúvida.

Política clara

Regras de troca e cancelamento visíveis, e respeitadas, evitam que o cliente recorra ao banco.

Responder no prazo

Sem resposta dentro do prazo, o lojista perde a disputa mesmo tendo provas.

O ciclo completo

Contestaçãocliente no bancoChargebackemissor abreReapresentaçãodefesa do lojistaPré-arbitragememissor insisteArbitragema bandeira decidecada passo tem prazo; o caso pode terminar em qualquer um deles
O laboratório vai até a reapresentação; a pré-arbitragem e a arbitragem são as etapas seguintes.

Se o emissor recusa a defesa do lojista, ainda pode haver uma segunda rodada, a pré-arbitragem, em que o emissor reafirma o caso com novas informações e o lojista pode aceitar ou responder. Sem acordo, um dos lados leva o caso à arbitragem da bandeira, que decide de forma final e cobra uma taxa de quem perde. Como a taxa costuma ser alta perto do valor de uma compra comum, muitos casos param antes.

Antes do chargeback

Contato com a loja

Muitas contestações nascem de um problema simples: entrega atrasada, cancelamento esquecido. Resolver direto com o cliente evita o chargeback.

Estorno voluntário

Se o lojista estorna a venda antes do chargeback, o cliente recebe o crédito e a disputa não chega a existir.

Pedido de informações

Em alguns casos, o emissor pede antes uma cópia do comprovante ou detalhes da venda, para ajudar o cliente a reconhecer a compra.

Fraude amigável

Nem toda contestação de fraude é fraude. Às vezes o próprio dono do cartão fez a compra e não a reconhece na fatura, um familiar usou o cartão, ou o cliente contesta para não pagar por algo que recebeu. É a chamada fraude amigável, difícil de provar, e é por isso que o nome da loja na fatura e o comprovante de entrega pesam tanto.

Provas por motivo

MotivoProvas que costumam ajudar
Fraude, loja físicaComprovante da compra com chip e senha
Fraude, loja onlineAutenticação 3-D Secure, dados do pedido, endereço de entrega, histórico do cliente
Produto não recebidoRastreio com confirmação de entrega, assinatura ou foto
Produto diferente ou com defeitoDescrição do anúncio, fotos, política de troca e conversas com o cliente
Cobrança em duplicidadeProva de que são duas compras diferentes, ou o estorno da segunda
Cancelamento não respeitadoTermos aceitos pelo cliente e registro de que o cancelamento não foi pedido no prazo

Cada código de motivo tem sua lista de provas aceitas nas regras da bandeira.

Excesso de chargebacks

As bandeiras acompanham a proporção de vendas contestadas de cada lojista. Quem passa dos limites entra em programas de monitoramento, com planos de correção, multas e, nos casos graves, o descredenciamento. Os limites e as multas são de cada bandeira e estão nas suas regras. Para o lojista, o chargeback custa mais que o valor da venda: inclui o produto entregue, as tarifas e o risco de perder a maquininha.

A contestação em cada modelo

Quem participa do cartão muda o caminho da contestação. No laboratório, escolha o modelo em "Quem participa", na aba Contestação.

Quatro partes

O cliente reclama no emissor, que abre o chargeback pela bandeira. A bandeira debita a adquirente, que retém o valor da agenda do lojista. A defesa faz o caminho de volta, e a bandeira pode arbitrar se emissor e lojista não chegarem a um acordo.

Com subadquirente

A adquirente debita a subadquirente, que debita o lojista e encaminha a defesa dele. Se o lojista não tiver saldo, a perda fica com a subadquirente, que responde pelos lojistas que credenciou.

On-us

O chargeback pode ser tratado dentro do grupo, sem passar pela rede da bandeira, mas o código de motivo e os prazos continuam os das regras dela. Se não houver acordo, o caso ainda pode ir para arbitragem na bandeira.

Três partes

Não há chargeback entre empresas. A mesma empresa recebe a reclamação, retém o valor do lojista, analisa as provas dos dois lados e decide, sem bandeira de terceiros para arbitrar.

Arquitetura e sequência

O mesmo cenário em dois desenhos: por quais sistemas a mensagem passa e a ordem das mensagens entre os participantes. Cada empresa organiza os próprios sistemas do seu jeito; esta é uma arquitetura de referência.

PortadorEmissorBandeiraAdquirenteLojista PortadorInterface com abandeiraAutorizadorAntifraudeHSMContas e limitesAutenticação 3DSFaturaDisputasTesourariaRede (switch)Roteamento porBINStand-inServiço de tokensDiretório 3DSCompensação edisputasAPI de capturaAutorizadorAntifraudeTransaçõesHSMEventosCaptura e agendaLiquidaçãoDisputasLojista 12, 934, 75, 6, 108
Arquitetura de referência para uma contestação em que o lojista se defende e vence. Os serviços em destaque tratam alguma mensagem do cenário; os números nas ligações são os passos da sequência abaixo.
PortadorEmissorBandeiraAdquirenteLojista1dia 0Contestação aberta2dia 2Crédito provisório3dia 3Chargeback4dia 4Débito na adquirente5dia 4Aviso e débito na agenda6dia 11Defesa (reapresentação)7dia 12Reapresentação8dia 13Reapresentação ao emissor9dia 23Crédito provisório estornado10dia 25Valor devolvido à agenda
A mesma conversa, mensagem por mensagem. O lojista venceu a disputa e recuperou R$ 159,90.

No laboratório, os dois desenhos andam passo a passo, com qualquer falha. Ver funcionando

As etapas

O que acontece em cada passo do laboratório e onde ler a regra original. No laboratório, o mesmo texto aparece em "Sobre esta etapa", ao lado do passo.