Paygrama guia geral do laboratório de pagamentos

Cartão

Uma compra no cartão passa pelo terminal, pela adquirente, pela bandeira e pelo banco emissor em menos de um segundo. Aqui está o que cada um faz, as quatro formas como eles se organizam, os canais (maquininha, Tap on Phone, link e carteira digital), o voucher e cada etapa do fluxo.

Quem participa

Portador e lojista

O portador é quem paga com o cartão. O lojista é quem vende e recebe, descontada a taxa.

Terminal

O aparelho que lê o cartão e monta a mensagem de autorização. Pode ser um POS, como o PAX S920 e o PAX Q92; uma SmartPOS com Android, como a Gertec GPOS700; ou o próprio celular com NFC (SoftPOS). Na loja virtual, o checkout faz esse papel.

Adquirente ou credenciadora

Cadastra o lojista, recebe as vendas, leva cada uma até a bandeira e paga o lojista na data combinada. Exemplos: Cielo, Rede, Getnet, Stone e PagBank.

Subadquirente

Também chamada de facilitador. Tem um cadastro numa adquirente e, debaixo dele, credencia vários lojistas, os subcredenciados. Facilita começar a vender, em troca de uma taxa maior.

Bandeira

Dona das regras do arranjo e da rede que liga adquirentes e emissores. Exemplos: Visa, Mastercard, Elo, American Express e Hipercard.

Emissor

O banco que deu o cartão ao portador. Confere saldo ou limite, roda o antifraude, aprova ou nega e cobra na fatura. Exemplos: Itaú, Nubank, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, Caixa e Inter.

Uma compra, passo a passo

0 msTerminal pedemaquininha21 msAdquirenteencaminha88 msBandeiraroteia326 msEmissor aprovacódigo 00379 msComprovantena tela775 msCapturaconfirmadatempos do laboratório; o espaço entre os pontos não está em escala
Do toque do cartão ao comprovante leva menos de meio segundo; a captura vem logo depois.

Quando o cliente aproxima ou insere o cartão, o terminal monta uma mensagem de autorização e manda à adquirente. Ela identifica a bandeira pelo início do número do cartão e encaminha. A bandeira leva ao emissor, que confere o cartão, o saldo ou o limite e o risco de fraude, e responde. A resposta faz o caminho de volta até a maquininha.

1. Autorizaçãoreserva o valor no limite2. Capturaconfirma a venda3. Liquidaçãoo dinheiro chega ao lojistamilissegundoslogo depois, ou dias depois onlineD+1 a D+30 por parcela
Autorizar não é receber: o dinheiro só chega ao lojista na liquidação.

A autorização apenas reserva o valor no cartão. A captura confirma a venda e a coloca na liquidação: na maquininha ela vem logo depois; numa loja online, pode vir só quando o pedido é enviado. Na liquidação, o dinheiro anda entre emissor, bandeira e adquirente, e a adquirente paga o lojista na data da agenda.

1Quatro partes

Terminalno lojistaAdquirentecredenciaBandeiraconectaEmissordo portador
O arranjo aberto: cada papel é de uma empresa diferente, e a bandeira liga uma ponta à outra.

É o modelo mais comum. O terminal fala com a adquirente, que leva a compra à bandeira, que leva ao emissor. A resposta faz o caminho de volta. Nenhuma adquirente precisa ter contrato com cada banco: a bandeira faz essa ponte.

Quem fica com o quê: da taxa que o lojista paga (o MDR), a maior parte vai para o emissor, como intercâmbio. A bandeira cobra uma tarifa pequena, e o resto fica com a adquirente.

Exemplo: cartão Mastercard do Nubank numa maquininha da Cielo. Ver no laboratório

2Com subadquirente

Terminalno lojistaSubadquirentefacilitadorAdquirentepor trásBandeiraconectaEmissordo portador
O facilitador entra entre o lojista e a adquirente. Para a adquirente, quem vendeu foi ele.

A subadquirente tem um único cadastro na adquirente e credencia os lojistas debaixo dele. Por isso costuma aceitar quem está começando, com cadastro simples, e entrega a maquininha pronta. O lojista vai como subcredenciado, identificado nos dados da mensagem.

Quem fica com o quê: a subadquirente cobra do lojista um MDR maior que o da adquirente e fica com a diferença. Ela recebe da adquirente e repassa ao lojista. Por isso os recebíveis do lojista também são registrados numa registradora.

No laboratório, a subadquirente é genérica e usa uma adquirente por trás. Ver no laboratório

3On-us

mesmo grupoTerminalno lojistaAdquirentegrupo XEmissorgrupo XBandeirano fechamento
Adquirente e emissor do mesmo grupo: a autorização pode ir direto, e a bandeira recebe a venda no fechamento.

Quando a adquirente e o emissor pertencem ao mesmo grupo, a adquirente reconhece pelo início do número do cartão (o BIN) que ele é da casa. A autorização pode então ir direto ao sistema do emissor, sem atravessar a rede da bandeira. Isso economiza um salto e dá ao grupo mais controle sobre a aprovação.

Se isso acontece de fato depende dos contratos e das regras de cada bandeira. A venda continua dentro do arranjo da bandeira, que a recebe no fechamento. No laboratório, o fluxo é ilustrativo.

Quem fica com o quê: a taxa é a mesma para o lojista, mas o intercâmbio e a margem da adquirente ficam dentro do mesmo grupo.

Exemplos: cartão Itaú numa maquininha da Rede, ou cartão Santander numa da Getnet. Ver no laboratório

4Três partes

Terminalno lojistaUma só empresabandeira + emissor + credenciadora
O arranjo fechado: uma só empresa emite o cartão, credencia o lojista e opera a rede.

No arranjo fechado não há bandeira de terceiros: a mesma empresa emite o cartão, aprova a compra e paga o lojista. A decisão sai dentro de casa e não existe intercâmbio entre empresas.

O exemplo mais próximo do dia a dia é o cartão de loja (private label), emitido pela loja com uma financeira parceira e aceito só ali. Fora do Brasil, o modelo clássico da American Express funciona assim. Aqui, os cartões American Express são emitidos pelo Bradesco, por isso no laboratório a Amex segue o modelo de quatro partes.

Quem fica com o quê: a empresa fica com todo o MDR.

No laboratório, escolha a bandeira "Cartão da loja". Ver no laboratório

Para onde vai o dinheiro

MDR de R$ 2,80 numa compra de R$ 100 (o lojista recebe R$ 97,20)Intercâmbio (emissor)R$ 1,50Tarifa da bandeiraR$ 0,15AdquirenteR$ 1,15
Com as taxas ilustrativas do laboratório. As taxas reais variam por bandeira, tipo de cartão, segmento e contrato.

O lojista não recebe o valor cheio: paga o MDR, uma porcentagem de cada venda. A maior parte vai para o emissor, como intercâmbio, que remunera o risco do crédito e os benefícios do cartão. A bandeira cobra uma tarifa pequena pelo uso da rede, e o resto fica com a adquirente. No Brasil, o intercâmbio do débito é limitado a 0,5% e o do pré-pago a 0,7% pelo Banco Central.

dia 0dia 30dia 60dia 90DébitoD+1Crédito à vistaD+30Parcelado em 3xD+30D+60D+90
Cada parcela vira um recebível com data própria.

Débito: o dinheiro sai na hora da conta do cliente, e o lojista recebe rápido, com o menor MDR. Crédito à vista: o cliente paga na fatura, e o lojista recebe em cerca de 30 dias. Parcelado sem juros: o lojista recebe uma parcela a cada 30 dias e paga um MDR maior.

Antecipação: o lojista pode receber tudo antes, pagando juros sobre o prazo que falta. É um empréstimo com os próprios recebíveis como garantia, e por isso eles ficam registrados numa registradora autorizada pelo Banco Central. No laboratório, marque "Antecipar tudo para D+1" na agenda.

Dentro da mensagem

As mensagens de cartão seguem a norma ISO 8583. Cada uma começa com o MTI, quatro dígitos que dizem o que ela é, seguido do bitmap, que avisa quais campos vêm a seguir. Os campos de dados (DE, de data element) levam o número do cartão mascarado, o valor em centavos, a validade, o modo de entrada, o terminal e a moeda (986 é o real).

0100versão: 0 = ISO 8583 de 1987classe: 1 autorização · 2 financeira · 4 desfazimentofunção: 0 pedido · 1 resposta · 2 avisoorigem: 0 adquirente
Lendo o MTI: 0100 é um pedido de autorização; 0110, a resposta; 0400, um desfazimento.
MTI0100Bitmap7234…DE 2 · cartão411111******1111DE 3 · processamento003000DE 4 · valor000000015990DE 14 · validade2912DE 22 · entrada051DE 41 · terminalTERM0001DE 49 · moeda986
Os principais campos de um pedido 0100, como aparecem em "Campos técnicos da mensagem" no laboratório.

Modo de entrada (DE 22)

Começa comComo o cartão foi lido
01Número digitado
02 ou 90Tarja magnética
05Chip, com o cartão inserido
07Chip por aproximação

O terceiro dígito diz se o terminal aceita senha. No laboratório, 051 é chip e senha, e 071 é aproximação.

Códigos de resposta (DE 39)

CódigoSignificadoQuem costuma responder
00AprovadaEmissor
05Não autorizada, sem motivo informadoEmissor
14Número de cartão inválidoAdquirente ou emissor
51Saldo ou limite insuficienteEmissor
54Cartão vencidoEmissor
59Suspeita de fraudeEmissor
91Emissor indisponívelBandeira

Cada bandeira tem sua lista completa e suas variações; estes são os mais comuns e os que aparecem no laboratório.

Tap on Phone

Cartão ou celularaproximaçãoCelular do lojistaapp certificadoAdquirenteencaminhaBandeiraconectaEmissoraprovalê por NFC e confere a segurança do aparelho
O celular do lojista faz o papel da maquininha; o resto do caminho não muda.

Com um app certificado, o celular do lojista aceita cartões e carteiras por aproximação, sem nenhum aparelho extra. É o mesmo pagamento por aproximação da maquininha: o chip do cartão gera um código único para cada compra, e o app manda a autorização à adquirente.

A diferença está na segurança. Uma maquininha tem hardware feito para proteger os dados do cartão; o celular não. Por isso o app confere, antes de cada compra, se o aparelho e o próprio app não foram adulterados, e cifra os dados do cartão. Acima do limite sem senha, o cliente digita a senha na tela do celular, quando a solução tem essa certificação. As bandeiras têm programas próprios para homologar essas soluções.

No laboratório: escolha o canal Tap on Phone. Ver no laboratório

Carteira digital (SDWO)

Etapa 1: a carteira cobra o cartãoClienteusa a carteiraCarteira (SDWO)cobra o cartãoAdquirenteda carteiraBandeiraMCC de carteiraEmissorvê a carteiraEtapa 2: a carteira paga a lojaCarteira (SDWO)com o saldoLojarecebepor fora da rede da bandeira
Duas etapas: uma compra com cartão para a carteira e um pagamento da carteira para a loja.

Nas carteiras digitais em duas etapas, que as bandeiras chamam de Staged Digital Wallet Operator (SDWO), o cliente paga a loja com a carteira, mas o cartão nunca fala com a loja. Na primeira etapa, a carteira cobra o cartão em nome próprio, como se fosse o estabelecimento, com o código de atividade de carga de carteira (o MCC 6540, na Mastercard) e a identificação da carteira na bandeira. Na segunda etapa, a carteira paga a loja com o saldo, por fora da rede da bandeira.

Isso muda quem é quem: para o banco do cartão, quem vendeu foi a carteira; a loja recebe da carteira, nas condições do contrato entre as duas; e uma contestação do cliente começa na carteira, não na loja. É diferente das carteiras que só guardam o cartão como token (como as do celular), em que a compra vai direto para a loja.

No laboratório: escolha o canal Carteira digital (SDWO). Ver no laboratório

Voucher: vale-refeição e vale-alimentação

EmpregadordepositaOperadoraemite o cartãoTrabalhadorusa o saldoRestaurantesegmento aceitoOperadoraconfere e pagaa operadora só aprova em estabelecimentos do segmento do benefício (MCC)
O dinheiro vem do empregador e só pode ser gasto no segmento do benefício.

O voucher é o benefício que o empregador paga ao trabalhador dentro do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT): o vale-refeição, para restaurantes e similares, e o vale-alimentação, para mercados. O empregador deposita o valor na operadora, que carrega o cartão do trabalhador.

No arranjo fechado, a operadora emite o cartão, credencia os estabelecimentos e paga as vendas, como no modelo de três partes. A diferença é a regra do segmento: antes de olhar o saldo, a operadora confere o tipo de atividade cadastrado do lojista (o MCC) e nega com o código 57 se ele não for do segmento do benefício.

A Lei 14.442, de 2022, trouxe regras novas para o setor, como a proibição de descontos na contratação pelo empregador, a possibilidade de arranjo aberto (com outras empresas emitindo e credenciando), a portabilidade e a interoperabilidade, para o cartão ser aceito em qualquer maquininha. A regulamentação dessas regras mudou nos últimos anos e ainda está em discussão; confira a regra atual antes de usar estas informações fora daqui.

No laboratório: escolha a bandeira Voucher (benefício) e a falha "Segmento não aceito". Ver no laboratório

Tipos de cartão

Débito

Usa o saldo da conta na hora. O lojista recebe rápido e paga o menor MDR.

Crédito

Usa o limite concedido pelo emissor; o cliente paga na fatura, à vista ou parcelado.

Pré-pago

Carregado antes de usar, como um saldo próprio do cartão; comum em contas digitais e cartões presente.

Múltiplo

Um cartão só com as funções débito e crédito; na maquininha, o cliente escolhe qual usar.

Benefício (voucher)

Vale-refeição e vale-alimentação, aceitos só em estabelecimentos da categoria e com regras próprias.

Virtual

Um número gerado no app, para compras online; pode ser temporário, de uso único ou com limite próprio.

Presencial e online

Clientedigita o cartãoLoja virtualcheckoutGatewayantifraude e tokenAdquirenteencaminhaBandeira e emissorautorizam3-D Secure: o banco do cliente pode pedir uma confirmação no app
Na loja virtual não há maquininha: o gateway recebe os dados do cartão e conversa com a adquirente.

Na loja física, o cartão está presente: o chip e a senha provam que é o dono que está pagando. Na loja virtual, o cartão não está presente, e a compra depende de outros cuidados: o código de segurança (CVV), o antifraude do gateway ou da adquirente e, cada vez mais, a autenticação do banco do cliente (3-D Secure), que pode pedir uma confirmação no app.

O gateway é a peça que liga a loja virtual às adquirentes: recebe os dados do cartão, aplica antifraude, guarda o cartão de forma segura para compras seguintes e pode mandar cada venda para a adquirente mais barata. Ele não credencia o lojista nem paga a venda; isso continua com a adquirente ou a subadquirente.

5555 5555 5555 4444número real do cartãotokeniza5412 7534 ···· 9087token no celularpagaEmissortroca o token pelo cartãose o token vazar, ele não serve fora daquele aparelho ou daquela loja
O mesmo vale para o cartão salvo na loja: a loja guarda um token, não o número.

Carteiras digitais e tokenização: quando o cartão é cadastrado no celular ou no relógio, ele não fica salvo como está. A bandeira gera um token, um número que substitui o do cartão e só funciona naquele aparelho. Na compra por aproximação com o celular, é o token que viaja na mensagem, e o emissor recebe a autorização como de costume.

Parcelado: do lojista ou do emissor

Parcelado pelo lojistaParcelado pelo emissor
Quem financiaO lojista: recebe uma parcela por mêsO banco do cliente: o lojista recebe como à vista
Juros para o clienteSem juros (o custo está no preço ou no MDR)Com juros, cobrados na fatura
Quando o lojista recebeUma parcela a cada 30 dias, ou antecipa pagando jurosEm cerca de 30 dias, de uma vez
No laboratórioÉ o "Parcelado"Não aparece no laboratório

O parcelado sem juros do lojista é uma marca do mercado brasileiro e é o mais comum no varejo.

Quanto custa para o lojista

MDR

A porcentagem de cada venda, maior no crédito e no parcelado. É negociável e varia por segmento e volume.

Aluguel ou compra da maquininha

Algumas adquirentes cobram aluguel mensal; outras vendem o aparelho, com taxas por venda maiores.

Antecipação

Juros por receber antes as vendas no crédito, cobrados sobre o prazo que falta para cada parcela.

Chargeback

As vendas contestadas que o lojista perde, além de eventuais tarifas por contestação.

Segurança

Chip (EMV)

O chip gera um código diferente a cada compra, o que torna inútil copiar os dados de uma transação para outra.

Senha protegida

A senha é cifrada já no terminal e só é aberta no ambiente seguro do emissor; nem a loja nem a adquirente a veem.

PCI DSS

O padrão de segurança das bandeiras para quem guarda, processa ou transmite dados de cartão, com regras de criptografia, acesso e auditoria.

Número mascarado

Comprovantes, telas e mensagens mostram só o começo e o fim do cartão, como 411111******1111.

Tokenização

Celulares e lojas guardam tokens, não o número real do cartão.

Antifraude

Emissor, bandeira, adquirente e gateway avaliam o risco de cada compra, cada um com seus próprios sinais.

Quem regula

No Brasil, cartões e Pix são arranjos de pagamento: conjuntos de regras que organizam um serviço de pagamento. A base é a Lei 12.865, de 2013, e o Banco Central regula e fiscaliza os arranjos e as instituições de pagamento.

Instituidor do arranjo

Quem cria e mantém as regras: nos cartões, as bandeiras (Visa, Mastercard, Elo…); no Pix, o próprio Banco Central.

Instituições de pagamento

Emissores, credenciadoras e subcredenciadoras, que seguem as regras do arranjo e as do Banco Central.

Banco Central

Autoriza, regula e supervisiona; também limita o intercâmbio do débito e do pré-pago e exige o registro dos recebíveis.

Quem é de quem

Os grupos explicam por que algumas combinações viram on-us no laboratório.

EmpresaPapelLigação
RedeAdquirenteDo Itaú
GetnetAdquirenteDo Santander
CieloAdquirenteControlada por Banco do Brasil e Bradesco
HipercardBandeiraDo Itaú, que também emite os cartões
EloBandeiraCriada por Banco do Brasil, Bradesco e Caixa
American ExpressBandeiraNo Brasil, os cartões são emitidos pelo Bradesco

A Cielo tem dois donos, e por isso o laboratório não trata Cielo com Banco do Brasil ou Bradesco como on-us. As participações mudam com o tempo; confira a situação atual antes de usar esta tabela fora daqui.

Além da compra simples

No mesmo dia, antes do fechamento: cancelamentoVenda aprovadalimite reservado0400 · Cancelamentodesfaz a transaçãoLimite liberadonem vai à faturaDepois da captura: estornoVenda capturadana agenda do lojistaEstorno (crédito)total ou parcialCrédito na faturae débito na agenda
Cancelar e estornar parecem iguais para o cliente, mas seguem caminhos diferentes.

Cancelamento e estorno

No mesmo dia, antes do fechamento, a venda é cancelada (0400) e some. Depois da captura, vira um estorno, um crédito que volta ao cartão, total ou parcial, e sai da agenda do lojista.

Pré-autorização

Hotéis e aluguel de carros reservam um valor estimado no limite, podem pedir mais (autorização incremental) e só cobram ao capturar o valor final. Sem captura, a reserva expira num prazo que depende da bandeira e do segmento.

Assinatura com cartão salvo

A primeira cobrança é com o cliente (CIT) e pode ter 3-D Secure; as seguintes são feitas pela loja (MIT), marcadas como recorrentes. Com token de rede, a assinatura continua quando o cartão é trocado.

Compra internacional

O emissor converte pela taxa do dia da compra, e a fatura mostra o valor em dólar, a taxa e o valor em reais. O IOF é de 3,5%. Na conversão dinâmica (DCC), a loja cobra em reais com a taxa dela, e o IOF continua.

No laboratório: na aba Cartão, escolha a operação. Ver no laboratório

Arquitetura e sequência

O mesmo cenário em dois desenhos: por quais sistemas a mensagem passa e a ordem das mensagens entre os participantes. Cada empresa organiza os próprios sistemas do seu jeito; esta é uma arquitetura de referência.

TerminalAdquirenteBandeiraEmissor Leitor chip e NFCApp de pagamentoAPI de capturaAutorizadorAntifraudeTransaçõesHSMEventosCaptura e agendaLiquidaçãoDisputasRede (switch)Roteamento porBINStand-inServiço de tokensDiretório 3DSCompensação edisputasInterface com abandeiraAutorizadorAntifraudeHSMContas e limitesAutenticação 3DSFaturaDisputasTesouraria 1, 72, 53, 46, 8
Arquitetura de referência para uma compra aprovada no crédito à vista. Os serviços em destaque tratam alguma mensagem do cenário; os números nas ligações são os passos da sequência abaixo.
TerminalAdquirenteBandeiraEmissor10 ms0100 · Pedido de autorização221 ms0100 · Encaminhada à bandeira388 ms0100 · Encaminhada ao emissor4326 ms0110 · Aprovada (00)5364 ms0110 · Aprovada (00)6379 ms0110 · Aprovada (00)7751 ms0220 · Captura8775 ms0230 · Captura confirmada9813 msAgenda de recebíveis
A mesma conversa, mensagem por mensagem. Aprovada no crédito à vista. Código de autorização 062499. O lojista recebe R$ 155,42 ao longo de 30 dia(s).

No laboratório, os dois desenhos andam passo a passo, com qualquer falha. Ver funcionando

As etapas

O que acontece em cada passo do laboratório e onde ler a regra original. No laboratório, o mesmo texto aparece em "Sobre esta etapa", ao lado do passo.

Pedido de autorização (ISO 8583, 0100)

As mensagens de cartão seguem a norma ISO 8583. Cada mensagem começa com o MTI, quatro dígitos que dizem o tipo: 0100 é o pedido de autorização. Depois vem o bitmap, que indica quais campos (os DE, de data element) estão presentes, como o número do cartão (DE 2), o valor (DE 4) e o modo de entrada (DE 22). Cada bandeira usa a sua variação da norma, mas a estrutura é a mesma.

Resposta da autorização (0110) e códigos de resposta

O emissor responde com uma 0110. O campo DE 39 traz o código de resposta: 00 é aprovada; 51, saldo ou limite insuficiente; 54, cartão vencido; 59, suspeita de fraude; 91, emissor indisponível. Na aprovação vem também o código de autorização (DE 38), e o valor fica reservado no cartão até a captura. O motivo detalhado normalmente não é mostrado ao cliente.

Agenda de recebíveis, MDR e intercâmbio

A venda vira um ou mais recebíveis, cada um com data para cair na conta do lojista. Do valor sai o MDR, dividido entre o emissor (intercâmbio), a bandeira e a adquirente. No Brasil, o intercâmbio é limitado a 0,5% no débito e a 0,7% no pré-pago pela Resolução BCB nº 246. Os recebíveis ficam registrados em registradoras autorizadas pelo Banco Central, o que permite antecipá-los ou usá-los como garantia.

Subadquirente (subcredenciador)

Na regulação do Banco Central, o subcredenciador é o participante que habilita lojistas a aceitar cartões usando a estrutura de uma credenciadora. Nas mensagens, ele aparece como o estabelecimento e identifica cada lojista como subcredenciado. Como é ele quem paga os lojistas, também precisa registrar os recebíveis deles numa registradora.

Tap on Phone

O celular do lojista, com um app certificado, aceita cartões e carteiras por aproximação, sem maquininha. O app lê o chip por NFC e, antes de cada compra, confere se o aparelho e o próprio app não foram adulterados; os dados do cartão saem cifrados. Acima do limite sem senha, o cliente digita a senha na tela, quando a solução tem essa certificação. Daí em diante, o caminho é o mesmo da maquininha.

Carteira digital (SDWO)

Na carteira digital em duas etapas (Staged Digital Wallet Operator, na linguagem das bandeiras), a carteira primeiro cobra o cartão em nome próprio, como um estabelecimento, com o código de atividade de carga de carteira e a identificação da carteira na bandeira. Depois, paga a loja com o saldo, por fora da rede da bandeira. Para o emissor do cartão, quem vendeu foi a carteira.

Voucher: vale-refeição e vale-alimentação

O benefício que o empregador paga dentro do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) só pode ser usado em estabelecimentos do segmento: vale-refeição em restaurantes e similares, vale-alimentação em mercados. Por isso a operadora confere o tipo de atividade (MCC) do lojista antes do saldo, e nega com o código 57 quando o segmento não é aceito. A Lei 14.442, de 2022, trouxe regras como a proibição de descontos na contratação, o arranjo aberto, a portabilidade e a interoperabilidade, cuja regulamentação ainda está em discussão.

Cancelamento no mesmo dia (0400)

Enquanto a venda ainda não entrou no fechamento do dia, o lojista pode cancelá-la. O cancelamento desfaz a transação original, com uma mensagem 0400 que aponta para ela, e o emissor libera o limite na hora. Para o cliente, é como se a compra não tivesse existido: ela nem aparece na fatura.

Estorno depois da captura

Depois que a venda foi capturada e entrou na agenda do lojista, não dá mais para desfazê-la: o lojista faz um estorno, uma transação de crédito que devolve o valor ao cartão, total ou parcial. O valor sai da agenda de recebíveis do lojista, ou de recebimentos futuros, e aparece como crédito na fatura do cliente, na atual ou na seguinte. O dinheiro volta para o cartão, não para a conta.

Pré-autorização

Usada quando o valor final ainda não é conhecido, como em hotéis e aluguel de carros. O lojista pede uma autorização de valor estimado, que reserva o limite do cliente mas não vira compra. No fim, ele captura o valor real, e a diferença é liberada. Se a pré-autorização não for capturada nem cancelada, a reserva fica no limite até expirar, num prazo que depende das regras da bandeira e do tipo de negócio.

Cobranças com cartão salvo (CIT e MIT)

A primeira cobrança de uma assinatura é feita com o cliente presente (CIT, iniciada pelo cliente) e pode passar pela autenticação 3-D Secure. As seguintes são feitas pela loja, sem o cliente (MIT, iniciadas pelo lojista), marcadas como recorrentes e ligadas à primeira, o que ajuda o emissor a reconhecê-las. As bandeiras limitam as novas tentativas de uma cobrança negada.

Compra internacional

A bandeira liga a adquirente estrangeira ao emissor brasileiro. O emissor converte o valor para reais pela taxa do dia da compra, e a fatura precisa mostrar o valor em dólar, a taxa e o valor em reais daquela data. Sobre a compra incide o IOF, hoje de 3,5%. A taxa de câmbio é definida pelo emissor e inclui a margem dele.

Conversão dinâmica de moeda (DCC)

Na conversão dinâmica, a loja no exterior oferece cobrar em reais na hora, com uma taxa definida por ela ou pela adquirente dela. O cliente sabe o valor exato, mas a taxa costuma ser pior que a do banco, e o IOF continua incidindo, porque a compra é do exterior. Recusar a conversão e pagar na moeda local é sempre uma opção.